Nesta semana falaremos de Xandy, atualmente na harmonia da Xavabanda e da General Telles e na Senegal Bateria Show.
Xandy começou sua trajetória exercendo uma função diferente da que executa hoje: Mestre de bateria na já extinta Escola de Samba Rosa Imperial. Também foi responsável por comandar os ritmistas da Kibandaço, e foi lá que fez sua estreia como intérprete. Em 2000 se transferiu para Banda Entre a Cruz e a Espada onde atuou até 2009. Lá ganhou vários títulos, incluindo o tri campeonato, motivo de orgulho para os Leões do Fragata. Teve passagem ainda pela Unidos do Fragata onde foi campeão com o enredo em homenagem a Giba Giba.Na General Telles conquistou em 2010 o estandarte de ouro de melhor harmonia ao lado de Beto, João Melodia e Erasmo.
Dono de uma voz grave e forte, sua sustentação é fundamental na fórmula vocal das harmonias que faz parte, que, na minha opinião é a base perfeita para se fazer um excelente trabalho vocal.
Nesta semana falaremos de Eduardo krautkemer, mais conhecido como Charutinho. Uma das vozes da campeã de 2011, Estação Primeira do Areal.
Charutinho é dono de uma voz grave, forte, melódica e marcante. Qualidades difíceis de encontrar em um mesmo intérprete, mas que ele conduz com maestria, segurança e firmeza e com uma “pegada” invejável.
Seu trabalho já lhe rendeu vários títulos pela Estação Primeira Do Areal e também pela Mocidade do Obelisco, Escola de Samba Mirim que defendeu no passado. Figura carismática, também é presença certa nos festivais de sambas de enredo, mas exercendo outro trabalho: o de compositor.
Para mim, Charutinho há algum tempo vem demonstrando qualidade para assumir o microfone 1 de uma grande agremiação. Está entre os destaques da nova geração de nosso carnaval e não é à toa, pois trabalha forte para que sua interpretação seja perfeita e marcante. Considero suas grandes características a leveza que conduz o samba, sem deixar de lado a pegada, e a explosão que empolga os foliões.
Hoje falaremos da João Melodia, a voz da Banda Carnavalesca Kibandaço. João se destaca pela facilidade de interpretar tantos tons graves quanto agudos.
Inspirado pelo famoso intérprete do carnaval de Porto Alegre, Carlos Medina, recentemente falecido, o intérprete começou a mostrar sua voz na banda de swing Ki-Raça, na década de 90, em 1996 já cantava nos ensaios da Kibandaço, em 2000 defendeu a Entre a Cruz e a Espada em sua estreia como banda.
Além de ter feito parte da Senegal Bateria Show por três anos, Melodia já foi a voz da General Osório e da General Telles, onde permanece até hoje.
Seu estilo agressivo e empolgante, como um grito de guerra, incentiva cada componente, preso a melodia e com facilidade para alcançar as notas altas, trata os ensaios com a mesma responsabilidade do desfile.
Perfeccionista na sua harmonia, João define o carnaval em: “Emoção, garra, pegada, beleza e amor incondicional.”
Para dar início às matérias sobre os intérpretes da nova geração do carnaval pelotense, nada melhor do que falarmos de Erasmo Oliveira, um intérprete com uma característica marcante e extremamente melódica e de canto refinado, particularmente, é prazeroso ouvi-lo interpretar, pois seu estilo é totalmente diferenciado por não ser agressivo e primar pela melodia e a divisão perfeita.
Erasmo preza pela técnica e leva seus ensaios com muita seriedade, pois como ele mesmo diz, à forma que se é ensaiada é a forma que dará o resultado, ou seja, o que vai para a passarela. Teve passagens por algumas das principais escolas de samba de pelotas, como Academia do Samba, Ramiro Barcelos, Rosa Imperial e General Telles. Há alguns anos defende a Ramirinho, e em 2011 ganhou mais destaque ao assumir o microfone 1 da Banda Carnavalesca Entre a Cruz e a Espada, obtendo nota máxima no quesito harmonia. Em 2010, pela General Telles, foi vencedor do estandarte de ouro e em 2011, pela mesma Escola, recebeu dos jurados nota máxima. Não é a toa que em pesquisa realizada em uma rede social seu nome aparece entre um dos melhores intérpretes da nova geração. Erasmo é na minha opinião um dos grandes interpretes do carnaval pelotense não no futuro mais já no presente, sua voz melodiosa encanta a todos e é quase unanimidade quando se fala em interpretação perfeita.
Não há mais dúvida entre os historiadores do Rio Grande do Sul de que o Atlântico foi à ponte de ligação entre as culturas africanas e os demais continentes. Os negros que desembarcaram no Porto de Rio Grande traziam em seus corpos as marcas deixadas pelos navios negreiros, e em suas memórias sobreviviam elementos que mais tarde se tornariam o sustentáculo de nova vida em um continente precoce.
Passadas as comemorações de 13 de maio, data que no ano de 2011 marca 123 anos do fim do trabalho escravo, somado aos 350 anos de crueldade, a equipe do blog Gandaia decidiu apresentar interpretações distintas de como a cultura africana influenciou e foi influenciada nos folguedos pelotenses. Para isso, vasculhamos antigos documentos, analisamos velhas fotografias, estudamos informações dos remotos jornais pelotenses, escutamos as senhoras e senhores dos antigos carnavais “da Quinze”, e desta forma começamos a reconstruir os acontecimentos e fatos que fizeram parte da nossa história momesca.
A primeira manifestação carnavalesca que decidimos compartilhar com nossos leitores diz respeito ao Sopapo, um tambor grande, que proporcionou à cidade status no contexto carnavalesco. Quando comparamos o carnaval de Satolep com o carnaval de outras cidades do Brasil, percebemos algumas peculiaridades que garantem ao município o adjetivo de uma das melhores festas do interior do Rio Grande do Sul. Uma dessas características está ligada ao fator sonoro: tanto Pelotas quanto as cidades do Uruguai apresentam em suas baterias uma levada que é única, e apesar de termos o carnaval carioca como modelo, a cadência no interior do sul é outra e não diz respeito somente a forma que as passistas trabalham os movimentos dos seus quadris, mas, sobretudo ao ritmo do samba.
Inicialmente este instrumento foi identificado na narrativa de Carl Siedler, (viajante que visitou a cidade no ano de 1976) “como um pedaço de tronco oco revestido de couro e que necessitava ser transportado por, no mínimo, dois trabalhadores africanos. Esses mesmos negros curiosamente tocavam com os pés. O som era muito alto e forte e era escutado há três quarteirões de distância. O bumbum do tambor era acompanhado por um berreiro de alegria, além das negras que realizavam movimentos estranhos envolvendo o quadril, braços pernas, tronco”. (Ilustração 01)
O relato desse viajante confirma a hipótese levantada por alguns pesquisadores, como a do O Professor Doutor Mario Maia – UFPel – de que esse tambor teve sua reconstrução pelos negros que trabalharam arduamente nas charqueadas, e com o fim dessas fábricas de salgar, os tambores deixam de ser utilizados somente nos rituais sagrados e festivos que aconteciam no intervalo da produção do charque.
Dança de Negros. Aquarela de hermann Rudolf Wendroth.
Essa aquarela segundo a observação do Professor Mario Maia foi provavelmente inspirada no relato do Viajante Carl Seidler, embora exista uma diferença de 30 anos entre as representações. A essência do desenho e de relatar o final da década de 1820, ambos os documentos apresentam uma relação de aproximação, quando comparados no contexto carnavalesco
O tronco oco começa a ganhar novas formas, e a batuca mais intensidade nas esquinas Cruzeiros e nas Ruas da Freguesia de São Francisco de Paula, atual Pelotas. Os negros com suas danças e barulhos vão conquistando novos espaços de divertimento dentro de uma freguesia que primava pela cultura ocidental, e que na segunda metade do século XIX era apresentada como modelo de “civilização”.
A partir de 1923 proliferam na cidade a presença dos cordões carnavalescos, (ilustração 02) formados na sua maioria por ex-escravos e descendentes destes. Estes ranchos tiveram vida efêmera, todavia deram origem às Escolas de Samba que em meados de 1970 começam a utilizar os Sopapos nas suas baterias.
A imagem (cedida pelo acervo Digital da universidade Católica de pelotas), aborda os componentes do bloco agüente se puder no carnaval de Rua de Pelotas nos anos de 60.
Na década de 60 através do músico pelotense Gilberto Amaro do Nascimento (Giba-Giba), a cidade de Porto Alegre, especificamente a escola de Samba Praiana, toma conhecimento desse tambor diferente. Giba-Giba é um produtor cultural que apresenta a preocupação de evitar o desaparecimento desse instrumento. Prova disso foi que entre os anos de 1999 e 2001 realizou na cidade de Pelotas o Evento CABOBU, uma tentativa de novamente trazer para o cenário pelotense o sopapo.
Recentemente o Coletivo Catarse (equipe de Jornalistas e comunicadores da cidade de Porto Alegre) lançou o documentário: O Grande Tambor, em parceria com oPrograma Nacional do Patrimônio Imaterial,doInstituto Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O documentário de forma original e inédita narra a história do negro, do carnaval e do SOPAPO no Rio Grande do Sul.
O documentário será exibido no dia 29 de agosto no Auditório da ASUFPel (XV de Novembro, 262). Vale à pena conferir e saber um pouco mais sobre esse instrumento que, certamente, deverá estar presente nas comemorações dos 200 anos da cidade, uma vez que é impossível narrar Pelotas sem contar as influências que a cidade sofreu dos inúmeros povos que por aqui passaram.
Tom Bigorna, Estudante de História-UFPel Pesquisador da historia do carnaval
Nesta semana, seguindo nossa série falando sobre os intérpretes de Pelotas, vamos falar de Gérson Brasil, cantor conhecido e afamado nos palcos através da banda Lua Cheia, a vários anos brilha em nosso carnaval. Se não me falha a memória, sua estréia no grupo especial foi na Imperatriz da Zona Norte, interpretando um samba muito rico e envolvente onde o tema era o pólo norte. Gerson é dono de uma voz grave e marcante, com timbre forte e seguro, na minha opinião, uma das mais belas de nosso carnaval, podemos sentir a suavidade de sua interpretação através da clareza que qualquer samba-enredo adquiri em sua voz.
Com passagens pela Imperatriz da Zona Norte, General Telles, Academia do Samba e Unidos do Fragata, foi várias vezes vencedor do estandarte de ouro. O último foi neste carnaval pela Unidos.
Há um ano atrás, Gérson teve um problema de saúde, onde se diziam que nao voltaria mais a interpretar em nosso carnaval. Mas a garra, a perseverança e o amor que ele possui pela música e pelo carnaval, venceu todas as adversidades, voltou, cantou e encantou. E a prova, como já disse, foi mais um estandarte de ouro para a sua coleção, que digasse de passagem, eu conheço e não é pequena. Este que na minha opinião, é um guerreiro.
Posso definir Gérson musicalmente como intérprete, que além de não esquecer da técnica, não esquece cada detalhe que possa vir a enriquecer ainda mais sua interpretação. De quebra ainda coloca muita emoção em seu canto, não se atendo apenas ao microfone, pois por todas as escolas que já passou, veste realmente a camisa e se envolve profundamente na construção dos desfiles, sendo figura facilmente vista no barracão.
Ao seu lado, sempre seus fiéis escudeiros, Bomba e Miriam Lua, uma química perfeita que enche nossos ouvidos com um coral absoluto. Além é claro, de dividir o microfone 1, como chamamos o microfone que é utilizado pelos interpretes oficiais, com seu grande amigo Émerson Nunes, uma parceria mais que vencedora.